O grande invento da História nos permite enunciar, sem transgredir suas normas, que houve um primeiro espelho no mundo. Alguém, em algum século, o viu. Esse par de olhos do passado atestou o milagre de se ver duplicado. O inevitável devir dos objetos quando o tempo passa resultou, como contestação eventual, em um primeiro espelho quebrado. Seu reflexo estilhaçado é evidência da seguinte premissa: nenhuma imagem está condenada à mera repetição. Um espelho quebrado pode teoricamente ser fragmentado até o infinito. Existe o mistério dos átomos que o valida e esse mundo secreto, pequeno e inacabável que há entre as coisas, banalmente chamado superfície. Nesse outro enigma que inventamos para conter e que batizamos como matemática, a solução é a mesma. Tudo pode ser dobrado indefinidamente em metades iguais. O cálculo nunca termina. A superfície do espelho é infinita. O é também a quantidade de fragmentos que podemos obter dela. Quantos infinitos cabem em um só espelho, e quantas vezes pode ele quebrar-se ao cair e ser mais?
A História Universal dos Espelhos, a da Fotografia e a História de tudo o que se quebra para gerar Cosmos estão ainda e sempre latentes.
Esta revista é apenas uma tentativa. Uma forma para o que hoje entendemos como fotografia e que amanhã será pó ou fragmento.
Infinito Blanco
INFINITO BLANCO é um selo editorial independente, situado na província de Córdoba, República Argentina, que trabalha com publicações de fotografia desde o ano de 2017.
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