Deus também descansa . Bruno Bou Haya

R$90,00

Bruno Bou Haya foi ao Líbano para pesquisar os impactos da diáspora para ambos os lados da família, não só a que migra, mas também a que fica. Em 1948, sua avó chegou ao Rio Grande do Sul, grávida, onde ficou até ganhar a segunda filha, mãe de Bruno. Depois mudou para o Rio de Janeiro, onde teve o terceiro filho e iniciou o trabalho no comércio, ao lado do marido. O que aconteceu a partir daí é o que o autor chama de “a história de todos os imigrantes libaneses que escolheram o Brasil como abrigo”.

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Deus também descansa é o segundo livro de Bruno Bou Haya e conta a história comum às famílias que chegaram ao país no século XX.

A saga foi contada e recontada muitas vezes desde a infância. Agora é ele quem conta, utilizando a fotografia como ferramenta. Para montar o quebra-cabeça de memórias, ele ouviu relatos, reuniu lembranças físicas – estão no livro três imagens de arquivo – e registrou o que viu, na viagem acompanhado por sua mãe, pouco mais de 70 anos depois da chegada de seus avós ao Brasil, visitando todo o Líbano e conhecendo sua família na pequena aldeia que seus avós deixaram.

“Meu maior objetivo era conhecer o ambiente em que passaram grande parte de suas vidas, a Beit Menzer que eles deixaram por não ter outra escolha”, conta ele que não chegou a encontrar os avós, falecidos antes dele nascer. “A história é feita de mudanças, mas também de permanências, essa viagem utiliza das permanências como ferramenta de conhecimento. Aquilo que ficou na aldeia da minha família, na casa onde me hospedei, construída pelo meu avô”. No texto do livro ele conta sobre a experiência de digressão momentânea, ao cutucar a memória: “Ela tanto tem a ver com o passado, quanto com o presente. É um fragmento vivo que se atualiza. Os fatos evaporam e, cedo ou tarde, se condensam em nós. Achei as marcas do meu rosto nas ruas desta terra, muitas vezes santa, e onde tantas histórias passaram antes de mim”.

Bruno passou a refletir também sobre a imagem que criamos sobre os libaneses, como se fossem tão diferentes dos brasileiros, por um fator geográfico. “Remetemos ao Líbano a ideia de oriente médio, quando eles são também mediterrâneos e por isso têm muitas pontes com o Brasil. Claro que a religião é um assunto transversal capaz de aprofundar as questões sociais, mas convivemos com problemas políticos e falhas morais similares. Quando estava finalizando o livro, já em 2020, aconteceu a explosão próximo de onde eu tinha visitado. Junto com a comoção brasileira, veio a sensação de impotência evidenciando os nossos laços”. Com a fisionomia indiscutivelmente árabe, o autor lembra que lhe pediam informações na rua, o que lhe dava ainda mais a sensação de proximidade com a sua história.

A comunidade libanesa no Brasil hoje é quase três vezes maior do que a população do Líbano e a experiência no comércio profundamente tradicional. Os avós de Bruno chegaram a ter três lojas, numa sociedade entre irmãos, no complexo de lojas populares de imigrantes sírio-libaneses, o Saara, no Rio de Janeiro. Em São Paulo, outros libaneses estão também na Rua 25 de março. O fotógrafo lembra ainda de seu tio avô Youssef, um articulador da comunidade libanesa no Brasil. No Líbano, recebeu em 1961 o ex-presidente e então senador Juscelino Kubitschek. Do encontro, restaram as fotos reproduzidas nas páginas 50 e 52 do livro, além de algumas outras que permanecem nos álbuns de família. Uma edição do jornal O Cedro, feito por imigrantes libaneses radicados em São Paulo, menciona o falecimento de Youssef com seu retrato está também entre os anexos do livro, bem como um cartão postal.

Bruno Bou Haya

Fotógrafo carioca com seu trabalho exposto pelo Brasil. Integra a coleção do Ricardo Brito, bem como o acervo do Congresso Nacional.
Em 2017 participou de uma exposição coletiva em Fortaleza e no ano seguinte, em 2018, publicou Todo seu Caymmi: um livro artesanal com tiragem limitada e inteiramente feita pelo autor. Neste mesmo ano, participou do festival FotoRio expondo Linha de Frente no Ateliê Oriente e depois seguiu para o Congresso Nacional em Brasília com uma sua exposição individual. Já em 2019 foi finalista do 16º Salão Nacional de Fotografias Pérsio Galembeck e em 2020 publicou Deus também descansa pela editora Vento Leste. Nesta obra o autor articula temas como família, memória e diáspora libanesa no Brasil. Passou a integrar em 2022 a coleção do Ricardo Brito, conselheiro do MAM SP, com 10 fotos desta última série. Agora segue os estudos sobre a imigração libanesa no mestrado em Memória Social na UNIRIO.
Bruno é cofundador da rede de fotógrafos no Circuito Universitário de Cultura e Arte da União Nacional de Estudantes e formou centenas de comunicadores pelo país. Sua ação coletiva no campo fotográfico o levou para o projeto Everyday, uma rede mundial de fotógrafos e desde 2017 é fotógrafo do Ministério Público do Estado do Rio Janeiro.

Peso 0,365 kg
Dimensões 18 × 1,3 × 23,5 cm
Autor

Bruno Bou Haya

Titulo

Deus também descança

Editora

Vento Leste

Edição e tratamento de imagens

Felipe Caetano

Texto

Bruno Bou Haya

Desenho gráfico

Bruno Bou Haya

ISBN

978-65-990732-4-3

Edição

Ano

2020

Tiragem

1000

Local de produção

Minas Gerais . Brasil

Idioma(s)

Português, Inglês, Árabe Libanês

Encadernação

Capa dura

Páginas

96

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