Uma sombra oscilante estabelece um diálogo com o arquivo fotográfico de meu pai, produzido durante sua militância no Chile e seus onze anos de exílio no Equador. Propõe-se como uma configuração de exercícios de aproximação às imagens que constroem e desvanecem a memória, e sobre o espaço da ficção que podemos estabelecer com ela; é uma série de perguntas sobre o irrepresentável, mas que, por meio da ideia de que na fotografia existe um ponto de fuga imaginário, algo pode se materializar.
A partir da abstração que dá título à obra e da natureza do próprio material com que se trabalha neste projeto — das luzes e sombras de que a fotografia necessita para se constituir como tal —, existe a possibilidade de aludir ao ausente e ao presente, e, nesse trânsito, referir-se a um movimento — a oscilação — que, em seu deslocamento, dá lugar a uma apropriação da história como possibilidade transformadora.
Oscilar entre um lugar e outro é também abrir um limiar como um espaço a ser construído: uma possibilidade que contempla o sensível e que, a partir do movimento, compõe. Entre a luz e a sombra, entre a origem e o exílio, entre uma ditadura e um projeto revolucionário, entre uma identidade e seu devir outros, abre-se um espaço de encontro: a imagem do recolher e desdobrar na construção de uma memória.





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