Velaturas . Helena Teixeira Rios

R$95,00

Durante viagem a Israel em 2018, a artista visual Helena Teixeira Rios visitou as cidades de Jerusalém, Tel Aviv, Acre, Haifa, Safed, Massada e Nazaré — locais que remontam ao quarto milênio a.C. Nesse período, só para citar alguns exemplos, Jerusalém foi devastada pelos efeitos de guerras pelo menos duas vezes, foi sitiada em 23 investidas, sofreu 52 ataques e foi invadida e recapturada 44 vezes.

Na atmosfera cúmplice de seu ateliê, Helena percebeu que as fotografias obtidas em Israel eram como uma argila a ser modelada. Percebeu que se fazia necessária uma ação de intervenção para torná-las uma instância visual e narrativa capaz de expressar suas emoções experimentadas naquele território. Por meio de distintas técnicas, as fotografias foram sendo transfiguradas até transbordarem em outro dinamismo pelo emprego de camadas de tintas, ranhuras, sobreposições, aquarelas que auxiliaram a gerar uma pátina atemporal, rebaixamentos e ocultamentos de determinados referentes.

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Olhar para um território ocupado é um exercício complexo de percepção arqueológica de muitas camadas que ora revelam e ora escondem a sobreposição de tempos e histórias, invariavelmente marcados por embates e controvérsias de forças e poder. Logo, um território assemelha-se a uma fotografia momentânea e fugaz que em seu suporte bidimensional inevitavelmente falha ao tentar apreender e representar atravessamentos desiguais de tempos.
Durante viagem a Israel em 2018, a artista visual Helena Teixeira Rios visitou as cidades de Jerusalém, Tel Aviv, Acre, Haifa, Safed, Massada e Nazaré — locais que remontam ao quarto milênio a.C. Nesse período, só para citar alguns exemplos, Jerusalém foi devastada pelos efeitos de guerras pelo menos duas vezes, foi sitiada em 23 investidas, sofreu 52 ataques e foi invadida e recapturada 44 vezes.
Berço das três grandes religiões monoteístas, cada esquina, prédio, monumento ou ruína ali estáticos são também arquétipos de expressiva significação para judeus, muçulmanos e cristãos. Trata-se de um território político e religioso desafiador aos fotógrafos interessados por esses cenários de paisagem-história.
Diante de tal perspectiva, Helena se viu desafiada por um problema que aflige qualquer fotógrafo que se aventura na difícil missão de traduzir em imagens as histórias de uma localidade: como revelar, por meio de imagens, a essência de um território ocupado? Eis que, em seu retorno de viagem a Israel, a artista deparou-se com suas fotografias que apontavam para um turbilhão de campos óticos, singulares e difusos em visualidade e emoção.
Na atmosfera cúmplice de seu ateliê, Helena percebeu que as fotografias obtidas em Israel eram como uma argila a ser modelada. Percebeu que se fazia necessária uma ação de intervenção para torná-las uma instância visual e narrativa capaz de expressar suas emoções experimentadas naquele território. Por meio de distintas técnicas, as fotografias foram sendo transfiguradas até transbordarem em outro dinamismo pelo emprego de camadas de tintas, ranhuras, sobreposições, aquarelas que auxiliaram a gerar uma pátina atemporal, rebaixamentos e ocultamentos de determinados referentes.
O que outrora se revelava em demasia verteu-se em opacidade. O que outrora revelava-se evidente tornou-se latente. O olhar indicial da fotografia de caráter documental foi mitigado pelas estratégias experimentais, resultando num território repleto de interditos, velaturas e dubiedades. Assim Helena criou, de forma correlata, um sistema expressivo, impuro e por isso mesmo potente enquanto pensamento sensível. As fotografias com interferências rememoram as experimentações que os ex-pintores e neofotógrafos do final do século XIX realizavam com o intuito de criar obras únicas, quando a reprodutibilidade da imagem tirava da fotografia o status de arte.
Após 180 anos da invenção da fotografia — e, desde então, tendo essa linguagem derrubado tabus até ser incorporada ao circuito oficial de arte -, pode-se considerar que o estatuto da narrativa fotográfica alcançou lugar em que as porosidades entre arte e documento e pesquisa e ensaio conseguem conviver harmonicamente no mesmo conjunto de imagens — ponto de vista complexo e não dogmático, com o qual Helena contribui ao refletir sobre seu campo de interesse, conciliando história, política e poética, sem as quais não seria possível adentrar sensivelmente na aventura humana e em seus embates ao habitar mundos.
Eder Chiodetto e Fabiana Bruno

Peso 0.29 kg
Dimensões 16.2 × 1 × 24 cm
Autor(es)

Helena Teixeira Rios

Título

Velaturas

Editora

Fotô Editorial

Edição

Ano

2018

Local de produção

São Paulo . Brasil

Idioma

Português

Encadernação

Brochura

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