A obra da artista brasileira baseia-se em uma extensa pesquisa iconográfica sobre a representação das mulheres negras no Brasil e no mundo, que ela vem desenvolvendo há vários anos. Val Souza recorre a uma variedade de fontes (revistas, internet, livros, redes sociais, arquivos pessoais etc.) e combina imagens históricas com fotografias contemporâneas para questionar mais profundamente a violência subjacente às representações tradicionais dos corpos negros.
Retratos de ícones da cultura pop, como Beyoncé e Kim Kardashian, convivem com os de Val Souza, da escritora e ativista Sueli Carneiro, de Nina Simone e de muitas outras, bem como com fotografias anônimas e imagens etnográficas. Vênus, de Val Souza, retrata uma deusa composta, encarnada tanto pela representação angustiante de Saartjie Baartman — uma mulher escravizada que foi exibida e explorada na França sob o nome artístico de “Vênus Hotentote” — quanto por rostos e corpos alegres que parecem livres da dor.
Val Souza aborda símbolos e narrativas que formam a base do imaginário social brasileiro e dos mecanismos de racialização e opressão; ela propõe modos alternativos de representação que funcionam como ferramentas de emancipação e potenciais portas de entrada para outros futuros possíveis.



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