Aquilo que vemos de relance e nos escapa jamais será fotografado, sequer memorizado. Bruno tem consciência dessa perda irreparável, mas poeticamente cria, a golpes de luz, vestígios por onde pode ser possível restaurar o limiar entre a fulguração de uma cena e sua rápida dissipação. Assim, este fotolivro se configura como um poema visual em que a memória de um passado se equilibra em suas fotografias com as promessas incessantes do eterno porvir que nos espera a cada esquina dobrada, no fluxo mágico e incontornável da vida.
Bruno Scharfstein
“Descobri a fotografia aos 15 anos, em 1968, período conturbado na história política do Brasil. Fotografar me deu uma mistura de identidade com liberdade. Finalmente, eu gostava de alguma coisa. Hoje, 50 anos depois, percebo meu trabalho intuitivo, faço imagens e vídeos, e guardo numa pasta provisória. Se amadurece, a pasta ganha título. Se tiver densidade, vira livro. Minha história é indissociável das imagens que escolho. Cresci num ambiente de instabilidade emocional, filho de sobreviventes do holocausto. Aceitei a instabilidade como normalidade. Talvez por isso, minha estética busca elementos de inquietude e aleatoriedade, emoções que me impulsionam a elaborar visualmente sobre a peça faltante de um quebra cabeça.”
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