É uma edição dedicada aos arquivos LGBTIQ+. Nesta entrega, a Revista Balam celebra uma década atravessada por profundas transformações e agitações globais: vivemos uma pandemia, somos testemunhas do avanço desenfreado da extrema-direita, de guerras, desmatamentos, protestas massivas, do aumento brutal das desigualdades sociais e do retorno da chamada guerra dos sexos.
Motivadxs a reconstruir o devir das nossas comunidades, concebemos a visualidade como pegada e símbolo de existência e legado. Por isso, prestamos homenagem aos arquivos como reservatórios de relatos em primeira pessoa e refúgios de subjetividades coletivas. Esta edição tem a honra de contar com María Belén Correa como editora convidada, ativista trans e fundadora do Arquivo da Memória Trans Argentina (AMT).
O conceito de RADICAL vincula-se ao poder disruptivo dos arquivos da dissidência sexual. Eles não apenas desafiam a hegemonia heteronormativa, mas também questionam as estruturas de poder, a colonialidade, o olhar acadêmico sobre como somos estudadxs e a compreensão social da exclusão, bem como as inumeráveis formas de apropriação indébita das nossas identidades. O radical está em documentar o ignorado, em criar família a partir da memória, em escutar quem foi sistematicamente silenciadxs, em reconhecer que a rua e a construção destes projetos são a verdadeira escola do nosso aprendizado. Cada arquivo é um chamado a resistir.
Visibilizamos e promovemos o trabalho dos arquivos que habitam na América Latina e de seus aliades, reivindicando suas lutas frente à homofobia e à transfobia que persistem em nossas sociedades. Estes projetos, criados por e para as nossas comunidades, reafirmam a expansão e o auge que estes arquivos estão tendo hoje no mundo todo e, por isso, celebramos isso nesta edição dedicada aos arquivos radicais, sendo, além disso, a primeira revista de fotografia a abordar esta temática.




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