O livro aborda a história de Maria Belén de forma íntima e profunda: desde a construção da sua identidade, dos seus vínculos e da sua passagem pelo trabalho sexual, até aos seus inícios na militância. O livro reúne fotografias das décadas de 80 e 90, anos em que na Argentina vigorava uma normativa que criminalizava as pessoas trans pela sua mera existência. A democracia havia retornado em 1984, mas não para a comunidade trans, que continuou sendo perseguida, encarcerada e torturada, sem reconhecimento social nem direitos. Para muitas, o trabalho sexual era a única forma de sobrevivência possível. Por isso, contar esta história continua sendo urgente: porque, embora tenhamos avançado em direitos, a expectativa de vida de uma pessoa trans na América Latina ainda não ultrapassa os 40 anos.
Archivo de la Memoria Trans
O Archivo de la Memoria Trans (AMT) é um espaço de proteção, construção e reivindicação da memória trans. Hoje o Archivo contém um acervo de mais de 15.000 documentos. É registrado material que vai do início do século 20 até o final da década de 1990. Seu acervo preserva uma coleção que inclui memórias fotográficas, cinematográficas, sonoras, jornalísticas e peças diversas como documentos (DNI), passaportes, cartas, bilhetes, arquivos policiais, artigos de revistas e diários pessoais. A missão de AMT é reunir e resgatar um acervo documental sobre a história de vida da comunidade trans argentina. A visão é estabelecer-se como organização documental e memória coletiva das identidades trans. A equipe de trabalho atualmente é formada por María Belén Correa, Cecilia Estalles, Cecilia Saurí, Magalí Muñiz, Carola Figueredo, Teté Vega, Luis Juárez, Carolina Nastri, Sonia Beatriz Torrese, Monica Tatiana Andrada, Marina Cisneros, Paola Guerrero, Katiana Villagra, Iris Kaufman e Luli Leiras.
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