Homens-lavanda, crianças-crisântemos, piloto de Ferrari feita de PET e burros sem rabo parecem seres de fábulas, mas não. São pessoas reais que o olhar atento de Míriam Ramalho encontra, sem marcar, em suas errâncias pelo Rio de Janeiro. É nessa deriva, sem roteiro rígido, que sua prática de pedalar e caminhar se inscreve como uma ética do encontro.
Em um tempo atravessado por protocolos de defesa e distanciamento, no qual o outro se tornou frequentemente uma ameaça a ser evitada, “Encontros não marcados” opera como um contrafluxo. A autora se oferece ao risco da aproximação. Olha nos olhos, escuta, permanece.
Ao final, o que “Encontros não marcados” nos devolve não é apenas um conjunto de histórias, mas uma experiência de mundo. A sensação de que a rua pode, novamente, ser o quintal, um território de convivência e descoberta.





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