Mirian estava em Porto Alegre em maio de 2024. Gaúcha radicada no Rio de Janeiro, havia viajado ao sul para visitar a família quando foi surpreendida pela enchente. “Chovia ininterruptamente há mais de uma semana. Nas periferias e na região metropolitana, os pássaros pararam de cantar. Os cães não latiam. Nada mais parecia ter vida nestes lugares, a não ser a água. O silêncio sinistro e perturbador só era rompido pelo som da urgência dos helicópteros e das ambulâncias. Profissão repórter: me senti convocada. À revelia do luto pela morte recente de minha mãe, fotografar tornou-se imperativo”, refletiu a jornalista e fotógrafa experiente, com uma carreira dedicada ao jornalismo e à arte. “O Rio Grande do Sul estava submergindo e os gaúchos contabilizavam o incalculável de suas perdas. Sem água e luz por dez dias, eu presenciava o inimaginável: o maior desastre por inundação da história do estado, e também um dos maiores ocorridos no Brasil”, prossegue.
E assim, dedicou-se a registar aquele momento tão único quanto assustador, uma tragédia climática anunciada, negligenciada pelo poder público e de proporções que o Brasil ainda não havia visto.




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